Ainda não há comentários

FTI Consulting Risk Research Project 2015: os riscos da atuação em mercados emergentes

 

São Paulo, 21 de Julho de 2015 – A FTI Consulting, Inc. (NYSE:FCN), consultoria empresarial global dedicada a ajudar organizações a proteger e aumentar o seu valor, anuncia os resultados do Risk Reseach Project 2015 (O que as empresas estão fazendo de certo e errado nos mercados emergentes), pesquisa com 150 participantes de empresas multinacionais na América no Norte e Europa, conduzido para identificar os maiores obstáculos aos negócios nos mercados emergentes (inclusive o Brasil).

Os 150 entrevistados, baseados na América do Norte (54%) e na Europa (46%), eram executivos do primeiro escalão da companhia (55%) ou seus subordinados diretos (45%), em empresas com receitas médias de US$ 5 bilhões. O resultado da pesquisa foi surpreendente e serve de alerta:

• 83% das empresas avaliadas sofreram perdas significativas em mercados emergentes desde 2010;
• 99% de todos os incidentes que envolveram uma perda tiveram causa (1) regulatória, (2) envolveu suborno ou fraude ou (3) questões reputacionais;
• O custo médio por incidente foi estimado em US $ 325 milhões; e
• A perda média por ano foi de US $ 260 milhões ou 0,7% da receita anual.

Na última década, grandes empresas sediadas em mercados desenvolvidos fizeram investimentos significativos em mercados emergentes. De acordo com a Conferência das Nações Unidas de Comércio e Desenvolvimento, 2013 foi um ano recorde com US$ 576 milhões em investimentos diretos de países desenvolvidos em mercados emergentes. Em 2013, estes mercados receberam quase metade dos US$ 1,46 trilhões de investimentos estrangeiros no mundo. No entanto, as grandes oportunidades oferecidas pelos mercados emergentes também representam grandes riscos.

Por conta da demanda crescente por investimentos em mercados emergentes, a FTI Consulting elaborou uma pesquisa (2015 Risk Reseach Project), divulgada em julho deste ano, para identificar os riscos nestes mercados e como as multinacionais podem atenuar essas ameaças. “O resultado desta pesquisa demonstra claramente que estas multinacionais têm sofrido perdas significativas na busca por novos mercados”, explicou Cynthia Catlett, Managing Director da divisão de Consultoria Técnica e Investigativa em Apoio a Litígios da FTI Consulting no Brasil.

Tais perdas podem ser inseridas em três categorias de risco: (1) riscos de compliance regulatório; (2) fraude e corrupção; e (3) questões reputacionais.

Apesar de nenhum destes riscos ser menos pernicioso do que os demais, a pesquisa revela que:

1. Descumprimento regulatório é a causa mais frequente de perda;
2. Questões envolvendo suborno e fraude são as mais custosas; e
3. Questões reputacionais sempre pioram a situação.

As circunstâncias mais prejudiciais e onerosas para as empresas ocorrem quando dois ou mais destes riscos convergem, criando-se uma cascata de perdas. E, como já esperado, as empresas que mais sofrem com estas perdas são as que não investem suficientemente em recursos gerenciais locais e em treinamentos de compliance.

Por outro lado, a pesquisa da FTI Consulting confirmou que as empresas que menos sofrem com estes riscos possuem duas características em comum: (1) jogam de acordo com as regras e melhores práticas de mercado e (2) protegem fortemente sua reputação. Estas empresas possuem um profundo entendimento das culturas empresariais dos ambientes em que operam e possuem planos bem desenvolvidos para lidar com incidentes que podem impactar e prejudicar a sua reputação.

Os entrevistados citaram a não conformidade regulatória como a causa mais frequente de incidentes que impactaram seus negócios em países emergentes.

O cumprimento da legislação em economias em desenvolvimento é realmente difícil. Uma das principais causas desta incerteza é a instabilidade política que tende a ser endêmica em economias emergentes. Uma área especial em que muitas vezes é difícil navegar é o cumprimento da legislação fiscal, para ficarmos em apenas um exemplo. No Brasil, cada um dos 27 estados tem suas próprias regras sobre o que pode ser tributado, exigindo um esforço sem tamanho das empresas que atuam através das fronteiras estaduais, sem contar as diferentes alíquotas e tributos municipais.

O segundo risco que mais contribui para perdas em mercados emergentes é caracterizado por fraudes e corrupção. De acordo com a pesquisa, quando a questão é fraude e corrupção, os impactos negativos vão muito além da perda de receita, representando um impacto severo na reputação da empresa.

Em muitas economias em desenvolvimento, o suborno é um facilitador de negócios que, às vezes, nem ao menos é considerado corrupção. As empresas multinacionais que operam nestes mercados encontram-se frequentemente entre “uma rocha e um lugar duro entre a cruz e a espada”: recusar-se a pagar suborno e não proceder com a atividade ou pagar suborno e aceitar os riscos?

O último risco mencionado na pesquisa foi o risco reputacional, que muitas vezes envolve eventos fora do controle da companhia. A lista de empresas que tiveram sua reputação atacada em mercados emergentes é longa e variada. Quando se faz negócios no exterior, as multinacionais, além de serem agentes econômicos, são agentes políticos. Este risco muitas vezes não é levado em consideração ou sequer reconhecido por investidores.

A pesquisa também identificou algumas práticas comuns às empresas que menos sofrem prejuízos:

• Investem em programas de compliance customizados para o território em que operam;
• Conduzem abertamente diálogos com funcionários referentes às questões de compliance;
• Fazem treinamentos com funcionários locais sobre fraude, corrupção e compliance;
• Conhecem os riscos relacionados às operações no país emergentes;
• Planejam seus investimentos em longo prazo;
• Mantêm boa reputação;
• Entendem o cenário político do país emergente;
• Possuem funcionários de compliance no país emergente; e
• Têm conhecimento dos relacionamentos entre terceiros e políticos.

Aos que buscam novos mercados, está feito o alerta: prudência e informação podem ser a diferença entre o sucesso e a derrota nos negócios.

Para mais informações sobre a pesquisa da FTI Consulting clique aqui:

Publicar um comentário