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Combate à corrupção é positivo no longo prazo

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As revisões dos índices de risco em investimentos no Brasil, das agências de crédito Standard & Poor’s (S&P) e Moody’s, certamente asseveram a crise e dificultam a captação de recursos e investimentos internacionais. A curto e médio prazos ao menos. Mas, segundo Gersan Zurita, Senior Presidente de Política de Crédito da Moody’s America Latina Ltda., mesmo que aumentem os riscos, os processos de investigação e combate à corrupção propiciarão, no médio e longo prazos, cenário de resultados positivos ao país. Veja o release completo clicando aqui.
Uma pesquisa realizada pela FTI Consulting, em 2015, traz dados interessantes sobre a corrupção em países emergentes. Essas lições e alertas reúnem a opinião de 150 entrevistados, baseados na América do Norte (54%) e na Europa (46%), executivos do primeiro escalão da companhia (55%) ou seus subordinados diretos (45%), em empresas com receitas médias de US$ 5 bilhões.
A pesquisa demonstra que as perdas estão concentradas em três categorias de risco:

(1) riscos de compliance regulatório, que é a causa mais frequente de perdas;

(2) fraude e corrupção, que é a causa mais custosa; e

(3) questões reputacionais, que sempre pioram a situação, pois são riscos estratégicos, que afetam a reputação e o valor da marca.
O resultado da pesquisa aponta que:

• oitenta e três por cento das empresas avaliadas sofreram perdas significativas em mercados emergentes desde 2010;

• noventa e nove por cento de todos os incidentes que envolveram uma perda tiveram (1) causa regulatória, (2) envolveram suborno ou fraude ou (3) questões reputacionais;

• o custo médio por incidente foi estimado em US$ 325 milhões; e

• a perda média por ano foi de US$ 260 milhões ou 0,7% da receita anual.
Para mais informações sobre a pesquisa da FTI Consulting, clique aqui.

 

O momento do Brasil é delicado, e a comunidade global está aguardando os resultados dos esforços do combate à corrupção nos negócios, no governo e nos relacionamentos entre as instituições público-privadas.

O que a comunidade internacional espera desse processo?

a) Dos responsáveis pelo combate à corrupção: 

Investigar e recuperar as perdas sofridas pelos cofres públicos, com eficiência e transparência. A comunidade global está atenta, e certamente será positivo ao investidor estrangeiro, que, ao final, retomará o país com confiança e certamente terá o retorno de investimentos em melhores índices. A certeza da punição contra ilícitos fortalecerá as instituições e fomentará a cooperação interinstitucional público-privada no combate à corrupção.

b) Da sociedade civil:

Apesar do sofrimento com a crise, os índices econômicos, perdas salariais e da renda, e todas as notícias de mais corrupção e escândalos, as perspectivas atuais são positivas. Precisamos de seriedade e justiça. Temos de ser proativos,denunciar e exigir os resultados. Precisamos passar por esse processo de aprendizagem e combate profundo à corrupção com esperança e otimismo. Certamente a cultura e a prática nos negócios e as relações serão aprimoradas após esse período de apuração, investigação e aplicação da Justiça, e veremos resultados concretos de punição e remediação por parte dos causadores de ilícitos, desfalques, fraudes e corrupção.

c) E por último, mas não menos importante, das empresas atuantes no país: Que adotem um programa de compliance robusto, sério, verdadeiro, que apliquem um código de conduta, que reconheçam boas e melhores práticas negociais e adotem licitude nos negócios e lisura na relação com agentes e gestores públicos, porque são bens públicos, são bens da nação, fruto das nossas contribuições e impostos.

O combate à corrupção é bom para o país, para todos os cidadãos e também para as empresas. Num ambiente de concorrência limpa e legal (fair game), todos ganham.

O custo da corrupção é alto e impõe riscos de perdas vultosas às empresas. Na pesquisa da FTI Consulting citada, entre 150 entrevistados, as perdas apuradas foram 0,7% da receita anual, e o custo médio, de US$ 325 milhões por incidente.

Extirpar a fraude e a corrupção dos negócios, no curto e médio prazos, pode apresentar-se custoso, com perdas de negócios, ampliação do risco-país, entre outros dissabores. Porém, uma vez solidificado, o sistema, no médio e longo prazos, apresentar-se-á atrativo, positivo e com alto grau de retorno do investimento.

Indicamos às empresas, na complementação ou implantação de programa de compliance, realizar análise de risco, do evento “corrupção” e o mapeamento e segregação dos riscos operacionais e estratégicos. O primeiro, para deliberar política antissuborno e a urgência de mitigar os riscos regulatórios da Lei 12.846/2013; e o segundo, para alocar recursos humanos e financeiros a manter um programa de compliance robusto, que assegure a integridade, a marca e a reputação da empresa.

Renata Fonseca de Andrade Esq., LL.M-MLI

Attorney at Law fully licensed in Brazil and the USA
Anticorruption, Bribery & Compliance (ABC) Specialist
Vice Chair of the International Procurement Committee, and Member of the Anticorruption Practices
Committee, at American Bar Association Section of International Law
Chair of the Anticorruption & Compliance Committee of OAB/SP Pinheiros (Brazilian Bar)
Member of the Compliance Committee at IASP
Member of the Compliance on Third Parties Committee at Instituto Compliance Brasil
LinkedIn – http://www.linkedin.com/in/renatafandrade

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